Hoje é domingo, 19 de março.
Tive aula a semana toda, inclusive ontem. Hoje tive um simulado pela manhã e saí as 12h30 com uma chuvinha boa.  Cheguei no ponto de ônibus e a chuva aumentou bastante, então acessei o aplicativo pra ver quando passaria o ônibus: dali 15 minutos.
Domingo, 15 minutos num ponto de ônibus, sozinha, com muita chuva... Pensei em chamar um Uber, mas fiquei me convencendo que passaria rápido e não aconteceria nada comigo.

Eis que chega um senhorzinho, nota que estou de fone e acena pra falar comigo.
- Moça, posso ver que horas são? - Apontando para o celular.
- Claro. - Mostrei.
- Ah, que bom, já deve estar pra passar o ônibus. - disse enquanto chacoalhava o guarda-chuva.
- Que ônibus o senhor vai pegar?
- 382. - ele respondeu enquanto eu acessava o ponto novamente no aplicativo.
- Ele vai demorar uns 10 minutos.
- Ah, obrigado.

Um minutinho apenas de silêncio e ele começa a conversar comigo.
- Tive que voltar mais cedo hoje por causa da chuva, a gente estava distribuindo marmita pros moradores de rua, distribuímos umas 100. Faço isso toda semana com o pessoal da igreja. Ai com a chuva o padre mandou parar e estamos voltando.
- E pelo jeito essa é uma chuva daquelas que dura a tarde inteira, né?
- É sim. - breve pausa - O Jonas - prefeito de Campinas - foi um incapaz em lidar com o caso dos moradores de rua, ontem ele colocou uns no ônibus e mandou pra Santos...
- Nossa! Como assim?! Vai simplesmente mudar o problema de lugar... Ninguém resolve nada mesmo.
- Só em São Paulo são 100 mil moradores de rua. E a gente conversa com eles, sabe? A gente faz um trabalho de assistente social, tem que fazer. Muitos perdem a identidade e não sabem nem mais quem são.

Mais um minutinho de silêncio e o assunto muda. Volta pra chuva.
- Ai a gente chega em casa e tem que ouvir aquele Datena falando mal da chuva. Ele e o outro lá da Record. - Assenti com um riso e ele continuou - E não é só eles não, até o William Bonner, se você ver, vai lá anunciar a previsão e fala da chuva como "Tempo ruim", não existe isso de chuva ser tempo ruim.
- O pessoal acha que é culpa da chuva as merdas que acontecem, enchentes e tal. Mas é a gente mesmo. - respondi concordando.
- Tempo ruim é o que estamos vivendo hoje.
Nesse momento minha cabeça fez aquele famoso BOOOM, Vou descrever meu pensamento: PUTA QUE PARIU, REAL OFICIAL. "TEMPOS RUINS ESTÃO POR VIR, HARRY." "AAAAAA EU PRECISO CHEGAR EM CASA E ESCREVER SOBRE ISSO.

Mas claro que por fora eu estava apenas parada no ponto de ônibus, sem esboçar essa reação e já grata por essa conversa. Achei que era isso. Mas não. Continuamos.
- Ah, mas o tempo tá bom pra chegar em casa, ver televisão. - Ele disse. - E comer bolo de mãe.
- Nossa... Sim! A minha nem faz mais, hoje em dia o pessoal só compra. - Que vontade que deu.
- É, tem tanta loja de bolo agora, até uma sobrinha minha entrou nessa de vender bolo.
- Pena que comprar o bolo não vem junto aquele cheirinho que fica na casa inteira um tempo antes e um tempo depois de pronto.
- É... Isso aí era bom... - pausa nostálgica, creio eu. - Dia de chuva a mãe mandava a gente sair pra tomar banho de chuva, ai depois entrava, tomava banho e ficava quentinho em casa comendo bolo.
Água da chuva é remédio, sabia? Minha tia é benzedeira, sabe o que é? - fiz que sim e ele prosseguiu. -  Ela usa água da chuva, e cura mesmo. E eu estudei, sei que é verdade. Fiz ciência, hoje seria alguma coisa de engenharia. Vi matemática, fisica, química, tudo avançado. A água da chuva é ionizada, por isso que as plantas crescem e faz bem pra nossa cabeça.

Nos minutinhos de pausa de agora pensei em todas as comidas gostosas pra dia de chuva, bolo, torta, rocambole, pudim, brigadeiro, bolinho de chuva, broa, rosquinha... Ou seja, todas as comidas. Não comi nada hoje ainda hehehe Então sim, vontade de tudo isso.
- Hoje em dia não tem mais essas coisas e o pessoal fala mal da chuva. as crianças só ficam no celular, uns 30 aplicativos e pra quê? qual a utilidade? Rede social só serve pro pessoal inventar mentira.
- É, tem de monte mesmo. - eu ainda estava estasiada pensando em "Estamos em tempos ruins, mas não é a chuva", não consegui pensar em algo melhor. Ele continuou falando um pouco disso e mudei meu pensamento para incrédula, pois tudo o que esse senhor estava falando eu estava em contato na manhã do mesmo dia e na semana passada também. Tecnologias e relacionamentos humanos. Um era um texto da veja sobre A Era da Solidão Acompanhada, o qual discordei. O outro está aqui na sacola à 2 metros de mim, mas estou com preguiça de ver qual era, mas na mesma vibe: de que a tecnologia piorou as relações humanas. Discordei também. Embora eu entenda o ponto de vista dos mais velhos e este fora justamente o que abordei na redação do simulado de hoje. É difícil pras gerações mais velhas entender como as relações humanas se adaptaram às tecnologias. Não só se adaptaram como estenderam essas relações.

E nesse momento parece que estou reescrevendo todo o meu texto aqui. Não dá pra dizer que hoje você vai jantar com a família e todo mundo fica no celular, não prestando atenção ao seu redor, uma vez que essa cena poderia ser vista da mesma forma, só que com um jornal, na época dos nossos avós.  E o quanto a tecnologia nos coloca em contato com pessoas fora no nosso ciclo rotineiro? De qualquer lugar do mundo, ou mesmo parentes que hoje moram muito longe.
Dizem que não há mais contato do tipo olho-no-olho, o próprio senhorzinho que conversava comigo hoje é um exemplo dos que pensam isso. Mas, como aprendi semana passada com um amigo do cursinho e como coloquei na redação de hoje, a conexão humana se estende para o mundo virtual e tem as mesmas sensações que quando estamos diante de alguém que amamos, ouvindo essa pessoa falando com a gente. Sentimos o mesmo se ela fala do outro lado da carta, do telefone, do whatsapp. Mas hoje com mais dinamismo e rapidez.
- Hoje as coisas são tudo muito rápido - Disse o senhorzinho. - E ninguém precisa de tudo isso.

Pois é, eu queria ter chamado um Uber pra não esperar 15 minutos na chuva. E olha que conversa bacana eu ia ter perdido! Fui olhar no aplicativo mais uma vez.
- Nossos ônibus são os próximos, vai vir primeiro o meu e logo atrás o seu. - Mostrei a tela pra ele e falei bem brevemente de como ele funcionava. Ele adorou! - Ah, olha lá eles. Primeiro o meu e depois o seu, bem como eu falei.
- Nossa! E não é que funciona mesmo? Obrigado viu, moça.
- Viu, tem uns que são úteis! hehehe! Tchau!
Ele se despediu e eu embarquei.






Eu sabia que não tinha terminado ainda os meus relatos sobre tudo isso que tenho passado, mas não lembrava de o que faltava falar. Precisei ler o post anterior pra saber que na minha cabeça estava na lista de falar no próximo post sobre " outras opções pra minha vida, sobre o que outras pessoas ficam colocando na minha cabeça, essas coisas". 


Sabendo o que eu tenho que falar, comentarei também que permanece o que escrevi no anterior: eu deveria ter escrito tudo isso antes. Agora só restam pequenas lembranças de tudo que estava na minha cabeça.

Vamos então. Outras opções pra minha vida.
A parte chata disso tudo não é saber que tenho outras opções. Não é eu ir atrás de outras opções. Não é planejar planos B, C, D e assim vai. É justamente ter que lidar com outras pessoas na sua vida te sugerindo o que você deve fazer. "Já pensou em concurso público?"  "Mas e o FIES/PROUNI?"  "Sabia que tal faculdade tem concurso de bolsa?"  "Por que você não faz uma mais fácil agora e depois faz a que você quer?" E assim vai. Várias vozes da experiência surgem sem eu ter pedido, como se eu não fosse capaz de pensar por mim mesma sobre as minhas opções, sobre o que eu tenho que fazer. Lamento se você que está lendo foi uma delas, sei que o intuito é dos melhores. Mas tente um pouco se colocar no meu lugar... Talvez assim dê pra entender que quando eu digo que não passei e afins, você não precisa falar nada do tipo "outras opções". Você pode falar simplesmente um "que pena" que tá tudo bem, sério. 

Abrindo a real aqui pra vocês, numa situação dessas a gente abre planos pra todas as letras do alfabeto, o plano P (de virar Puta) é um desses, por exemplo. Mas a gente não quer fazer nada disso. Então adianta? Os meus planos não eram pra caso eu não passasse na universidade, como todo mundo tem pensado. Pois eu não quero mudar de plano. Meus planos B, C, D e afins são pra caso eu não conseguisse fazer mais um ano de cursinho (e seguir com meu plano), e como meu pai me permitiu mais um ano de cursinho, aqui estou eu em 2017 esperando as aulas começarem. E se estou fazendo isso é porque escolhi, porque eu quero isso e porque eu não quero jogar todo esse investimento fora. 

Um plano B real, que eu tive caso não passasse nas faculdades, seria de trabalhar, desistir de tentar fazer facul por aqui e ir juntando dinheiro pra que eu e meu boy saiamos do país assim que ser. E então eu faria faculdade no Canadá. O plano continua: esperar o boy se formar, juntar um dinheiro e imigrar pro Canadá. Era só a questão de eu ter uma faculdade mesmo. Mas conversamos com o pessoal da imigração em uma das feiras de intercâmbio e aparentemente daria certo a gente imigrar por mais que eu não tivesse curso superior. E um plus, na minha área, é o meu canal. Um portfólio, basicamente. Que eu focaria se não tivesse passado, já que estaria trabalhando e teria mais tempo e dinheiro pra investir.  

Era cursinho ou Plano B real. Essas eram minhas escolhas e eu optei pelo cursinho mais um ano. Isso não sou só eu tentando passar no meu curso, isso virou um sonho.  Conseguir, passar, escrever o nome da faculdade na minha testa com tinta, passar pelos trotes, viver a faculdade, ter amigos com tantos gostos em comum, fazer projetos, tudo tudo tudo... Tudo o que eu contei que estava imaginando no post de quando descobri que não passei no vestibular. Eu não quero viver outra opção. 

E eu não quero viver essa opção em Minas Gerais ou sei lá qual outra faculdade longe de casa eu passar. Eu quero estar aqui. Então só quero que as pessoas ao meu redor entendam essa escolha. Não precisa me apoiar, até meus pais queriam que eu realmente saísse logo daqui e fosse fazer uma faculdade, mesmo já tendo me matriculado no cursinho. (Passei em Minas pelo SISU, por isso.)
Mas isso é minha vida. 

To fazendo o que eu acho melhor pra minha vida.




Confesso que já me esqueci do que eu tinha que escrever.
Tinha de ter escrito bem antes, quando estava sentindo tudo aquilo. Não agora, que já estou tranquila e que já passei pela fase de aceitação sobre meu ano.
Já estou remediada de tudo o que estava consumindo minhas energias e pronta pra encarar meu quarto ano de cursinho.

Acho que posso começar por aí. Pelo cursinho:
Todo mundo acha que pagar cursinho é o mesmo que pagar sua vaga numa universidade. Não, não é. Eu também achava, antes de fazer cursinho, é claro. Pagar por um cursinho é pagar por uma estrutura de um lugar, professores pra dar aula e ainda ter que ter grana pra comer e andar de ônibus. Não está incluso nisso toda a sua dedicação, atenção, concentração... Enfim, tudo aquilo que você realmente precisa pra passar. Ir à aula não é o mesmo que estudar; e estudar é uma coisa desgastante e que pouquíssimas pessoas (ao menos do Brasil) saberão um dia o que é. É, alem de ver 7 horas de aulas, ainda conseguir estudar mais 7 horas de exercícios e leitura, isso sendo na verdade o ideal. Isso e ainda lidar com pressão, stress, abdicar de tudo o que te faz feliz, de ver amigos, de conversar, de dormir até mais tarde no final de semana...

Eu sai do meu ensino médio sem nunca ter estudado. E demorei 2 anos de cursinho pra realmente conseguir fazer isso. É um hábito difícil de pegar, e mais difícil ainda de pegar no cursinho: pois você não dá conta de tudo. É muita matéria, muita coisa pra fazer e você não consegue fazer nem metade. Nos dois anos anteriores eu desisti no meio do ano de tentar conseguir. Mas esse ano era o ano. Eu estive focada o ano todo, consegui aproveitar o cursinho, consegui estudar, consegui aprender mais as matérias que não entravam na minha cabeça, eu estava simplesmente conseguindo! Todos os finais de semana eu fazia simulados, durante a semana eu saia de casa 6h da manhã e voltava quase 20h.

Isso me evoluiu, mas ao mesmo tempo acabou com a minha saúde, e ela já não é boa. Passei o ano tomando remédios, indo à médicos, engordei pra caralho, destruí meu corpo e minha auto estima comigo mesma. O canal tava em pé, eu tinha gravado os vídeos do ano todos (na verdade uns 90%) nas férias do começo de ano, mas eu não estava mexendo nele, então eu quase não tive nenhuma distração. Eu tranquei meu facebook no começo do ano, reativei depois da metade dele apenas. E mesmo assim meus pais acham que isso é um problema e que eu fico perdendo meu tempo lá.

Tive erros? Claro que tive. Sempre dava pra gente ter feito mais. E o importante é que eu sei quais são, pois aí sei o que corrigir. E inclusive, muitos dos meus professores mesmo acham que abrir mão de tanta coisa é um desses erros. E é por isso que este ano voltarei à academia pra juntar um pouco os benefícios que ela me trará quanto ao stress dos estudos e quanto à minha saúde. O canal eu vou parar mesmo, mas como eu já disse no começo do post, tá tudo bem. Já aceitei.

Mas então. Voltando ao começo do post, eu disse que todo mundo acha que cursinho é a porta da universidade, certo? certo. E pra completar o pensamento, a questão é basicamente que eu estou indo pro quarto ano de cursinho e simplesmente ninguém entende qual é a dificuldade que eu tenho de passar.  Isso porque simplesmente ninguém entende nada da minha vida. Pensam que eu tenho tudo, todas as condições e que isso é o suficiente. Quando eu passar na universidade vai ser uma comemoração de eu finalmente ter passado, mas vai ser um: "não fez mais do que a obrigação."  "também?! Quatro anos de cursinho até eu!" "finalmente deu um passo pra frente" "deve ter cansado de desperdiçar a grana do pai dela" etc e tal.
E é por isso que vou ter que estar preparada pra sofrer com as pessoas até mesmo quando eu conseguir realizar meu objetivo que é de passar na universidade.

Ninguém considera o ensino médio de LIXO que eu tive. "Ah, mas foi particular".... O maior erro dos meus pais. Pensaram que é um fato que particular > pública. A minha escola foi uma das piores, ensino médio + técnico, tudo no período da manhã misturado. Eu tive metade das aulas do ensino médio que as pessoas de escolas normais tiveram e nem foram aulas boas como era de se esperar. Não fui preparada para nada. Saí de lá sem saber fazer uma fatoração. Então eu sei bem o quanto eu consegui evoluir durante o cursinho.

Minha irmã, por outro lado, teve a chance de fazer um cursinho pré vestibulinho, e passou na ETECAP. Uma escola pública daqui de Campinas, com um ensino não bom, mas melhor do que eu tive. Além disso, ela tem cotas quando presta vestibular. Taí um ponto sobre cotas que eu não concordo. Nossos pais, nossa condição familiar é a mesma, mas ela ganha pontos e eu não. Mas tem aquele MAS: "Mas ela quer medicina".  E tá tudo bem. Eu torço muito por ela. Quero que ela realize os sonhos dela. Unica coisa que me incomodam é a comparação que fazem entre a gente. O tanto de ponto que ela tem que fazer pra passar em medicina é o mesmo que o meu, já que ela tem cota. Então a gente basicamente tem que estudar o mesmo tanto. Só que por eu querer um curso de humanas, estar a mais tempo prestando e não estar prestando pra medicina, só eu tenho a pressão nas minhas costas.

Qual é a do meu curso? Midialogia, 3º curso mais concorrido da unicamp. 30 vagas, só 30 fucking vagas! E gente de todo canto do Brasil presta prova da Unicamp, no último ano foram mais de 1500 pessoas. Pra segunda fase passam menos de 200 pessoas. E como vocês viram no primeiro post... Era pra eu ser uma dessas 200 se não fosse pelo meu erro no gabarito. O que já era uma conquista e tanto pra mim. Era não, foi. Eu senti a conquista, eu comemorei por dias até receber a má notícia. Mas eu consegui sim, só não oficialmente, infelizmente. 2016 não foi uma derrota completa pois eu consegui enxergar as minhas vitórias mesmo que elas não tenham sido do tipo que se dá pra tirar print e postar pra todo mundo ver.

No próximo post falarei um pouco sobre outras opções pra minha vida, sobre o que outras pessoas ficam colocando na minha cabeça, essas coisas.


Até mais, beijos, 
Lariih


Como prometi no post anterior, vou detalhar melhor alguns sentimentos sobre o final de ano. Hoje vou falar de quando descobri que não passei.
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Saí da prova com o gabarito preenchido pra corrigir em casa. Corrigi. 62 pontos, eu tinha conseguido. Eu tinha conseguido. Recontei pra ter certeza e sim. Eu finalmente tinha conseguido, finalmente passei, finalmente dei um passo à frente, finalmente estava vendo aquilo se realizar. 
Chorei muito, emocionada. Eu não parava de chorar e meu sorriso não saia do rosto.  Comemorei contando pras pessoas que mais importavam primeiro, depois postei no Facebook. Eu já tava dentro.

Agora era só continuar estudando pra segunda fase em janeiro e aguardar o sonhado resultado. 

Eu já conseguia imaginar meu 2017, ano mais feliz da minha vida. Ia ter entrado na Unicamp, conseguir tocar o canal pra frente, ver mais meus amigos, fazer amigos novos incríveis, cuidar de mim voltando à academia e fazendo tightlacing, começando projetos fotográficos e cosplays mais fodas, quem sabe o quanto eu cresceria esse ano!  Sonhei muito nesse tempo e estava motivada.

Muita gente me parabenizou, alguns já queriam marcar comemoração. E eu queria muito! Eu mereco! Quanto tempo já não faz?! E venho dado meu sangue nisso. Abri mão de tanto. Tanta coisa, tanta gente, tanto tudo. Foquei, estudei, dei o máximo de mim. Queria muito ir pra São Paulo ver minhas amigas, finalmente eu ia poder ir! Queria é dar uma festa e chamar todo mundo!


A cada dia, a cada momento que eu estava só ou em silêncio, era isso tudo que passava pela minha cabeça. Até que chegou o dia do resultado oficial. Fui pra aula, normalmente. O resultado saiu no meio da aula de história. Todos começam a olhar, comemorar, ficarem aliviados ou surpresos. Eu não passei. 
Os olhos iam enchendo de lágrimas e saí da sala só com o celular na mão. Pouco antes da saída, vejo algumas pessoas também ao celular, mas escuto "Mãe? Eu passei na Unicamp!" Sim, passei!" ... Mais um ano eu não faria essa ligação. 


Saí pra fora do cursinho, ia caminhando até a rua sem saída, desmoronada, aos prantos. Meu namorado estava em prova esse horário, liguei pra minha mãe. Chorei muito, contei. Desesperada. Soluçando ao ponto de ser difícil sair uma palavra inteira. Eu pensava e falava: E agora?!
Com a mão livre, a que não segurava o telefone eu arrancava cabelos e mordia minha própria mão bem forte. Eu não sabia o que fazer e tudo o que eu sonhei foi por água a baixo. "Agora já era né, Larissa. Vai ter que trabalhar", disse ela no telefone. Eu não queria. Não queria que isso fosse real. Eu estava sem opções.
Meu pai não pagaria outro ano de cursinho, ele tinha dito que era o último. como eu ia voltar pra casa agora? Como eu olharia pra ele depois disso... Depois de 3 anos jogando dinheiro fora comigo... Não passei na universidade, não posso fazer cursinho, não está fácil assim arrumar um emprego e aquilo tudo doía demais. Pra mim me restava voltar, andar até a Avenida Brasil e me jogar na frente de um ônibus. 


Mandei mensagem pra uma amiga que tinha pedido pra que eu dissesse pra ela se ela tivesse passado. Ela passou, então avisei. A resposta foi um "E você??" ... Era óbvio que não! Eu sairia cantando aos sete ventos, eu teria dito que Nós passamos na Unicamp, no plural. Achei a pergunta ridícula e ignorei por um bom tempo. Mandei mensagem pra minha melhor amiga, que também não passou. Não demonstrei como eu estava pela mensagem. Foi apenas um "não passamos na Unicamp. :/ ". Mas ela entendia o que era aquilo pra mim e logo em seguida me ligou. Eu em prantos e ela aguentando a barra. "Você quer que eu vá aí?" Disse ela. Aquilo foi minha salvação. Praticamente desabei em choro e implorei pra que ela viesse. Eu não tinha ninguém. Eu precisava de alguém.  


Ela saiu de Sumaré o mais rápido que pôde pra me buscar. Entrou na sala de aula no meio da aula, pegou meu material e saiu. Me salvou. Eu não conseguiria entrar lá no cursinho, passar novamente por essa humilhação. Ah sim, eu vi meu resultado de não ter passado estando no cursinho nos últimos 3 anos também. Mas era nesse que eu tinha a certeza. Era nesse que eu comecei a sonhar. A humilhação que senti foi mil vezes pior. 


Passei o dia todo com minha amiga. Fomos na Pedreira do Chapadão passar um tempo, fomos almoçar, fomos pra casa dela, fomos tomar sorvete, voltamos pra casa dela... Fui pra minha casa quase meia noite, na certeza de que todos estariam dormindo. Eu não estava pronta pra lidar.
Assim foi. Conversei um pouco com meu namorado. Ele também estava desacreditado, afinal, eu havia conseguido os pontos. Contei errado será? Não. Em silêncio assumi na minha consciência a burrada que eu fiz. Pelo resultado oficial do site, eu devo ter passado algumas questões erradas para o gabarito oficial. E um erro desse me custou o ano seguinte. 
Meu namorado me confortava pra que eu não pirasse mais ou fizesse alguma besteira. Ele faria o que tivesse no alcance dele pra me ajudar. Chegou a fazer várias contas de como dava pra ele me ajudar com o cursinho com as suas últimas e poucas economias, estava realmente disposto. Nem que fosse pagar um suficiente pra reduzir as mensalidades pro meu pai.

Aula normal no dia seguinte. Evitando ao máximo o contato com meu pai. Ele me levou pra aula, normalmente eu dou carona pra uma amiga minha, mas como não passei, ela achou que eu não fosse mais. Quando chegamos no cursinho, eis que ela desce do carro da frente. "Ah, olha ela ai.", comentei. "É, Parabéns... Pra ela.", diz meu pai, com tom sério, bravo e irônico. Meus olhos vão se enchendo de lágrimas de novo, sai do carro e bato a porta com força, de ódio. Qual a necessidade daquele comentário? Entrei chorando e não consegui entrar pra primeira aula. Estava claro ali que eu não tinha o apoio dele, que ele estava bravo comigo, que pra mim já era mesmo. Eu estava passando pelo pior momento da minha vida e não tive como contar com meus pais pra me consolar, me ajudar a superar isso, me ajudar a ver minhas opções. Eu me senti sozinha, inútil, abalada e ainda recorria aos pensamentos de que era melhor eu me matar logo.

Procurei dois professores que me apoiavam pra conversar da minha derrota e eles me deram força pra continuar, não desistir, tentar dar um jeito. Era pensamento deles, do meu namorado e meu que meu pai não poderia fazer isso comigo e jogar 3 anos fora em que investiu em mim com cursinho. Triste é que só eles me entendiam. Até mesmo minha irmã não apoiava mais que eu fizesse cursinho. Não entendem nada. Não seria difícil ir atrás de entender, mas dissertarei esses outros pensamentos no próximo post.

Até mais.
Lariih


Eu não consegui escrever isso aqui antes. Hoje é 9 de janeiro e eu tive um final de ano terrível.

Se eu tivesse usando o blog pra desabafar, como antes, teríamos páginas cheias de tristeza. Infelizmente. Tenho passado por muita coisa, muitas falhas e doeram demais. Sinto muito em lhes contar isso, anseio pelo dia que virei aqui trazer várias boas noticias.

2017 vai ser mais um ano de vestibular pra mim. Pois é, isso significa que não passei novamente e estou bem abalada, porém consciente e a pior parte já passou. Custou-me dias chorando, dias sem conseguir olhar meus pais nos olhos. Custou-me lidar com raiva, com descontar em quem não tem culpa de nada... E comigo mesma, que de certa forma não tenho também.

São emoções e sentimentos que tomaram conta de mim e me desgastaram, me consumiam. Houve vezes que eu queria desistir da minha vida. No dia em que soube o resultado, faltou pouco pra eu não me jogar na frente de um ônibus em plena Avenida Brasil. Se eu não tivesse recebido uma ligação de alguém na hora certa me oferecendo ajuda... Quem sabe?

Vou explicar melhor cada sentimento que tive em uma próxima ocasião. Só quis dar meu parecer nesse pequeno post e reforçar que tenho um refúgio pra mim mesma.

Eu estou bem. Vou continuar correndo atrás do meu sonho mais uma vez graças a meu pai, que me deu mais essa chance, meu namorado, que me deu apoio, força e me ajudou a abrir os olhos, e minha melhor amiga, que estava lá quando precisei... E eu nunca achei que existiria esse tal momento onde as pessoas realmente precisam de alguém.

O canal talvez pare, vou voltar pra academia, minha irmã vai estudar comigo no cursinho. Vou ter que sumir mais das redes sociais, tentar cuidar da minha saúde e meu corpo. Essas são as novidades. Embora eu suma de todo o resto... eu tenho esse refúgio aqui e não vou esquecer.


Beijos, Lariih



Peço desculpas aos não bilingues hoje hehehe, pois trago uma música que compus em inglês. Uma música que traz toda a simbologia de Lúcifer como anjo caído, não perdoado, condenado ao inferno num ambiente de aceitação do inferno e negação a um Deus falso.  Sepá, colocar no google tradutor ajuda hehe! Espero que gostem, um dia quem sabe eu grave essa tal música e outras mais inspiradas no universo de Sandman. (Aqui no blog mesmo já escrevi também sobre Desire e Destiny)



World of Lucifer

Why should I belive in things
That makes me think "What if I could be
Forgiven, Forgiven?
These books can't tell me everything
Even if it's true... Maybe they're just lying

For everytime I've been lost
Having only these thoughts
If what I have done
Will be forgiven and will be gone?
Next to Lucifer having a drink
Playing the Piano and I still think
What a hell does God do
If I am still blamed?
And why am I looking for
Be Forgiven and saved?
Forgiven and saved



"I am the Unforgiven Angel"
He said to me
"But now I have my own world"
It Sounds amazing
"If you're still worried, just join me"
And I will
"Because everything is heaven..."
... if it's not a nightmare

Next to Lucifer having a drink
Playing the Piano and I still think
What a hell does God do
If I am still blamed?
And why am I looking for
Be Forgiven and saved?
Forgiven and saved



Welcome to my world
Of the ones that chose to live
over only have a doomed life  - A doomed life
Having fear and usuless hope
Through the fake lord like everyone
I'll enjoy my days until I die - And I will be...

Next to Lucifer having a drink
Playing the Piano and I'll think
What a hell does God do
that deserved your love
And why were we all looking for
to replace the raven for a mourning dove





Ok, calma. Acho que a gente pode começar um pouco mais devagar. 

É foda né? Hoje em dia a gente ama todo mundo e ao mesmo tempo não ama ninguém, então fica difícil começar um relacionamento com uma pessoa e entender de verdade o que é o amor nesse caso. Você sabe que é diferente. Afinal, você ama sua mãe, ama seus amigos, ama a si mesmo, ama seu animal de estimação... Mas e aquele amor pelo namorado/namorada? Esse não é tão natural assim.

Você gosta muito da pessoa. 

Depende muito de como vocês começaram a namorar, de há quanto tempo vocês se conhecem, do quanto vocês se conhecem ou pensam que conhecem. Quando vocês começam a namorar, por mais que já se amavam... O amor começa a ser outro. A pessoa agora é seu/sua namorado/namorada. Você vai aprender a namorar amando.    


A definição de amor está aí ao lado, você pode optar por tentar entender esse paradoxo, por senti-lo sem definir ou seguir outros versos, os do famoso "Deixa a vida me Levar", Hehe.
Devo ter deixado alguns pensamentos na sua cabecinha, então enquanto eles matutam aí, vou seguir essa postagem com algo que não exige pensamento algum. Vai ser a minha história, talvez bem breve, resumida. Mas minha lição aprendida.  Como foi que eu aprendi a namorar?


Bom... Já vou adiantar que não foi no primeiro, nem no segundo namoro. Foi no terceiro e atual. Neste. De agora.  E não foi desde o começo não. Comecei esse namoro como qualquer outro. Problema: Eu tinha 17, ele 26. Um cara tão mais velho assim, outra cabeça. Eu? Nem fiz 18... O que de experiência eu tinha vivido? Vários, mas vários nada. Minha bagagem era: O primeiro namoro durou 3 anos, ele me traiu, entrei em depressão. O segundo namoro não deve ter durado 3 meses direito, ele acreditava em mentiras que os outros espalhavam sobre mim diretamente pra ele, só pra desgraçar a minha vida. E se não fosse pela minha primeira vez, eu teria começado esse namoro praticamente virgem.  Pessoa super protegida pelos pais, certinha, não saia de casa, não conhecia nada além de escola e eventos de anime.

Nos conhecemos pela internet. Nossa, assim soa muito velho, né? Nos conhecemos pelo facebook. Tínhamos um amigo em comum. Ele conversava comigo, eu respondia por educação -risos. Mas ele se mostrou uma pessoa muito legal de se conversar, e fomos levando assim: conversas vai e vem. Temos muito em comum, até mesmo gostar de uma banda que até hoje só conheço mais uma outra pessoa que gosta, que foi quem me apresentou a banda! A imagem que eu tinha dele já era de que isso não ia ficar só na amizade. E pelo visto ele também.

Marcamos de nos encontrar, fomos ao shopping. Rolê de criança, né? 17 anos... Encontrei ele lá sentado no banco me esperando, com 3 barras de chocolate suíço de presente pra mim. Já estamos claros, né? Hahahah! Verdade é que eu já o via como namorado perfeito pelas nossas conversas, e ele também me via assim. Conversamos muito lá no shopping, e parecia que a gente tava só confirmando que era real. Ele era mais bonito do que nas fotos, por sinal. Nesse dia eu o beijei. E ele não é desses. Ele retribuiu, mas sei que se sentiu estranho, por não ser muito de "ficar", como a gente costuma falar. E também por aquela coisa que a gente sentia de que não ia ficar só nisso. Íamos namorar.

Nos encontramos outras poucas vezes e ele enfim disse que não queria apenas aquilo, queria namorar comigo. Eu ainda estava receosa por conta das coisas lá em casa. Imagina só a ideia de namorar um cara basicamente 10 anos mais velho e você não tem nem 18 ainda? Meus pais, que sempre foram durões, iam amar, né? Claro que não! No próximo encontro aceitei. Estávamos muito felizes, parecia que ia ser muito legal e eu gostava muito dele.

Reparou que escrevi que gostava muito dele, né? Pois bem. Namoro é aquela coisa que você aprende amando... Jajá a gente chega lá. Continuando...

Não tinha whatsapp, gente. Nem celulares tão fodas com app do facebook e tal. A gente vivia dos pacotes de sms. Comecei a guardar todas as sms dele, era tudo muito fofo e apaixonado. Sim, eu tinha me apaixonado. Ele também. Me sentia muito feliz. Encontros vem e vão, a gente namorando, umas saídas pra tomar um suco, umas idas à casa dele antes de ir pro meu curso... Ainda bem apaixonados. Mas começamos a ter uns problemas.

Minha falta de liberdade atrapalhava. Tive muitas brigas na minha casa, brigas com ele e tudo mais. Custou pouco mais de 18 anos pra conseguir me libertar, sair e voltar quando eu quisesse. Dormir na casa dele, ir pra rolês mais adultos, curtir barzinhos, experimentar bebidas, etc. Quanto mais a gente finalmente conseguia se ver mais do que dar aqueles rolês de inicio de namoro, mais a gente se conhecia melhor. Além do que a gente se conhecia pela internet. Isso significou que ele conheceu vários defeitos meus, eu conheci os dele. Mas acho que pesou mais pros meus defeitos, senti que eu não era tudo aquilo pra ele, entende?  Eu era bem menos.

Eu era burra, a escola que frequentei foi um lixo. Ser burrinha incomoda quando você tem alguém inteligente do seu lado querendo puxar um assunto, conversar, e você apenas consegue ser superficial, ou não mostra interesse, ou... Sei lá. Isso atrapalhava. Eu sempre tive muitos amigos homens, isso começou a atrapalhar também, pois como eu estava namorando, era como se fosse proibido sair com eles, ir na casa deles, trabalhar com eles. Começou o ciúme. Aí vem a desconfiança do nada, a troco de nada, ele invade meu facebook pra ler conversar antigas... De quando a gente nem tava junto... Por puro ciúme. Minha reação foi apagar tudo com medo de me ferrar, mas me ferrei, pois aí pareceu que eu quis esconder algo, mas não... Só queria evitar o que houve no meu primeiro namoro. Gente achando pelo em ovo. Vendo coisa onde não tem, nunca teve, nunca terá. Ou mesmo se teve... Não terá mais!

Eu estava caindo no erro do primeiro namoro. Eu ia ser refém de um namoro que me prende, que desconfia de tudo o que eu faço, de todas as pessoas ao meu redor, que ia me culpar por muita coisa...Enfim. Quem quer isso? Ele tinha um problema, e eu também tinha um problema. Mas conforme o tempo foi passando a gente foi se gostando cada vez mais, apesar dos pesares... E resolvemos algo simples: Que íamos mudar um pelo outro. Não existe essa coisa de "amar a pessoa como ela é", sendo que você pode SEMPRE ser alguém melhor pra você mesmo e para quem está ao seu redor. Aí é que eu realmente consigo chamar isso de amor.

Você sabe que você ama quando você se vê ao lado da pessoa pra coisas muito mais do que um rolê, um suco, uns beijo, umas conversas... Coisas como, quem sabe, ficar junto pra sempre? Ter a vontade de aturar essa pessoínha sem que tenha um fim. É aí que eu realmente comecei a aprender a namorar, e pelo visto, ele também. Mesmo com tanta experiência a mais do que eu. (Costumo brincar que ele coleciona ex namorada hehe)

O que fazia ele sentir ciúme, agir possessivamente, etc era um problema literalmente da cabeça dele, pois eu nunca dei motivos pra tal. Chamava-se Transtorno de Personalidade Dependente e ele tratou com psicólogo e remédios antidepressivos. Nunca precisei dar motivos, pois esse transtorno funciona da seguinte maneira: tenho 10 horas livres pra dar atenção às pessoas, se 9h eu dei atenção pra ele, mas em uma, foi pra amigos... Nessa uma hora ele já se sentia de lado, cabisbaixo, etc. Isso demorou um pouco pra se manifestar no início do namoro, pois pelo mesmo motivo que ele sentia essas coisas do Transtorno, ele me enchia de mimos pra poder demonstrar ao máximo que queria estar comigo. Romântico? Não! Depois de quase 4 anos de namoro posso afirmar que ele não é.  Era um sentimento grande de não querer ficar sozinho, de encontrar alguém legal e não querer mais que a pessoa vá embora, de precisar muito dela...

Quanto à mim, eu comecei a estudar. Ah, e criei um objetivo de vida que era MEU. Não era pelos meus pais. Decidi que queria fazer Unicamp, por mim. Passou a ser uma das coisas que mais quero até hoje (e que estou quase lá). Comecei a cuidar do meu corpo (exceto esse ano), minha saúde... E muito, mas MUITO disso veio de ajuda dele. Ele sempre fez o possível pra me ajudar. Sempre que está ao alcance dele. Sou muito grata ^^

A gente se ama muito. E a gente aprendeu a namorar amando. A gente se deu uma chance. A gente confia um no outro. A gente conquistou juntos maturidade.

Num próximo capítulo dessa nossa história eu contarei mais sobre como é o nosso relacionamento, que de certa forma, hoje em dia é considerado liberal. Como uma pessoa extremamente possessiva consegue lidar com uma mina beijando a namorada dele na frente dele hoje em dia? heheheh Fiquem ligados nesse mesmo canal.


Até mais!!

Beijos,
Lariih